Por um breve momento, lá pelo meio do filme, tive a ingênua esperança de que Sim Senhor estaria diante de uma bifurcação e, fosse qual o caminho escolhido por Peyton Reed, o resultado seria minimamente interessante. Na trama, o personagem de Jim Carrey é influenciado por um colega a procurar Terrence Bundley, um homem que oferece de auto-ajuda cujo mote é “o sim é o novo não”. Naquele fugaz instante, imaginei que Reed teria feito uma das duas opções:
1 - Injetar, por baixo da superfície de simples comédia romântica que é este longa, um comentário pouco lisonjeiro sobre a cultura da auto-ajuda, que assola o “mundo contemporâneo”. E fica claro que há em Sim Senhor, de forma atentamente construída, a vontade de ser um produto cujo mundo diegético habita os “dias de hoje”: seja por meio da citação de filmes bastante recentes - Transformers, 300, Jogos Mortais, Harry Potter -, pelo uso recorrente da tecnologia por parte dos personagens – celulares, e-mails, spams que oferecem “aumento peniano” , sites de casamento etc -, na composição dos créditos finais do filme, que segue as tendências atuais do design, ou, então e, principalmente, na personificação de Allison (Zooey Deschanel), uma indie que tem uma banda indie (mas que é tida por banda de rock pelo personagem de Carrey, mostrando que o que é considerado rock neste século não tem absolutamente nada a ver com, simples guitarras, baterias acústicas e baixos), que faz “fotografias borradas”, como a própria personagem diz em determinado momento (uma "tendência" que pode ser encontrada em muitos flickers da vida).
2 - Fazer um elogio aos métodos de auto-ajuda radicais, mostrando que a vida do personagem de Carrey melhorou em muito depois da palestra de Bundley. Para bem ou para mal, seria uma opção um tantinho ousada, porque polêmica.
P.S: Não tenho nada contra filmes feitos exclusivamente para suprir uma necessidade de mercado.