1 de fevereiro de 2009

Sim Senhor, de Peyton Reed

Por um breve momento, lá pelo meio do filme, tive a ingênua esperança de que Sim Senhor estaria diante de uma bifurcação e, fosse qual o caminho escolhido por Peyton Reed, o resultado seria minimamente interessante. Na trama, o personagem de Jim Carrey é influenciado por um colega a procurar Terrence Bundley, um homem que oferece de auto-ajuda cujo mote é “o sim é o novo não”. Naquele fugaz instante, imaginei que Reed teria feito uma das duas opções:

1 - Injetar, por baixo da superfície de simples comédia romântica que é este longa, um comentário pouco lisonjeiro sobre a cultura da auto-ajuda, que assola o “mundo contemporâneo”. E fica claro que há em Sim Senhor, de forma atentamente construída, a vontade de ser um produto cujo mundo diegético habita os “dias de hoje”: seja por meio da citação de filmes bastante recentes - Transformers, 300, Jogos Mortais, Harry Potter -, pelo uso recorrente da tecnologia por parte dos personagens – celulares, e-mails, spams que oferecem “aumento peniano” , sites de casamento etc -, na composição dos créditos finais do filme, que segue as tendências atuais do design, ou, então e, principalmente, na personificação de Allison (Zooey Deschanel), uma indie que tem uma banda indie (mas que é tida por banda de rock pelo personagem de Carrey, mostrando que o que é considerado rock neste século não tem absolutamente nada a ver com, simples guitarras, baterias acústicas e baixos), que faz “fotografias borradas”, como a própria personagem diz em determinado momento (uma "tendência" que pode ser encontrada em muitos flickers da vida).

2 - Fazer um elogio aos métodos de auto-ajuda radicais, mostrando que a vida do personagem de Carrey melhorou em muito depois da palestra de Bundley. Para bem ou para mal, seria uma opção um tantinho ousada, porque polêmica.

Pelo acumulo quase explícito - e que em um primeiro momento pode até parecer crítico - de signos do "mundo moderno", e, pela forma como Reed nos mostra a palestra de Bundley, onde uma multidão grita palavras de ordem,a um palestrante que ocupa o centro do quadro, em poses expansivas, imponentes, em mim ficou a impressão de que a opção número 1 seria a escolhida pelo diretor. Obviamente, não demorou muito para que minhas esperanças fossem embora. Como esperar, de um filme medíocre, feito exclusivamente para suprir uma necessidade de mercado, com uma mise en scène medíocre (mau uso do 2.35:1; atuação de Carrey nem tão nonsense e histriônica quanto em Ace Venura, Debi e Loide ou, até mesmo, no brilhante O Pentelho, nem tão contida quanto nos eventuais draminhas em que participa), uma solução que não fosse medíocre? Pois é isso: Sim Senhor não critica nem elogia a auto-ajuda (quando o método de dizer sim a tudo começa a dar errado, é o próprio Bundley quem apresenta a solução), mantendo-se na confortável zona do meio-termo.

Mais uma vez: não que este típico filme hollywoodiano tenha a obrigação e a pretensão de ser algo diferente do que é. Crer na possibilidade de Reed apresentar, de fato, um ponto de vista é ser ingênuo como eu fui durante aquele curto período de tempo.
Sobra o que, então, de Sim Senhor? Uma primeira cena engraçadíssima e os olhos de Zooey Deschanel .

P.S: Não tenho nada contra filmes feitos exclusivamente para suprir uma necessidade de mercado.