
Operação Valquíria é simplesmente uma tentativa de Hollywood de matar Hitler. Uma real história alemã aqui serve como uma desculpa para que Tom Cruise, num trabalho mínimo de composição de um ator geralmente esforçado, encarne uma espécie de Ethan Hunt de tapa olho na Segunda Guerra Mundial, na missão, dessa vez realmente impossível, de matar Adolf Hitler, que fala inglês.
A visão de tudo é claramente hollywoodiana e, por isso, um tanto limitada, num roteiro que me parece que perfeito para ser filmada por Raoul Walsh, caso este ainda estivesse vivo hoje, fazendo 3 filmes por ano.
Bryan Singer, que parece ter se tornado mais mero um diretor de estúdio graças a seus filmes de suerheróis, os bacanas dois primeiros X-Men e o desastre Superman - O Retorno (não é legal resumir filmes em um adjetivo?), volta aqui a abordar o nazismo, tema já trabalhado pelo diretor, de forma menos explícita, em O Aprendiz, talvez seu melhor filme.
O filme, enfim, é muito mais interessante do pode parecer a princípio. Um bom thriller de ação, que se destaca pela forma contida com que Singer filma, surpreendentemente até, considerando seus outros trabalhos (a exceção é O Aprendiz, o que me faz pensar que Singer se interessa pelo nazismo, mas o filma com demasiado respeito, e isso não é ruim). A metade inicial especialmente, com a arquitetação do plano para matar Hitler, demonstra um grande cuidado de decupagem e muita eficiência na criação da tensão. Lembra as metades iniciais de alguns bons filmes de roubo de banco. Mesmo quando há uma explosão, a câmera permanece fixa, observando tudo de uma maneira fria, forma típica de Hollywood tratar o nazismo.
Se no final Cruise fracassa em sua missão é porque, apesar de todas deturpações, essa ainda é uma história baseada em fatos reais, e a indústria americana parece ter um respeito enorme demais por essas coisas, o Oscar que o diga. Não fosse isso, Hollywood teria o maior prazer de ver um grande astro seu matando Hitler. Quem sabe numa próxima.
14 de março de 2009
Operação Valquíria, de Bryan Singer
por
Christopher Faust
às
10:00:00
Marcadores: Bryan Singer
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