30 de janeiro de 2009

Violência Gratuita (2008), de Michael Haneke


Pensei que o diretor de grandes filmes como Professora de Piano e Caché pudesse ter esquecido um tal filminho bobo que havia feito lá em 1997, mas Michael Haneke resolveu refilmar, literalmente, seu Violência Gratuita. A diferença é que agora trata-se de um filme americano, falado em inglês.

É estranha a sensação de rever um filme que você não gosta em uma nova roupagem. Fui pois há tanta gente que ama esse filme, que uma revisão pudesse me fazer, quem sabe, rever meus conceitos sobre a obra. Mas eis que chega a tal cena do controle remoto e continuo achando aquilo a coisa mais boba do mundo. O pior uso de metalinguagem da história do cinema. Parece idéia de universitário.

A melhor definição que posso encontrar é de que este é um filme de violência para pessoas que não gostam de filmes violência. Esta é a contradição que permeia todos os fotogramas da película. Não consigo imaginar alguém gostando de Violência Gratuita e também de Carpenter, Romero ou Tarantino. E, convenhamos, alguém que não gosta de Carpenter, Romero ou Tarantino (especialmente pós-Jackie Brown), bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé. (ok, finjam que essa última frase não existe)

Daí vem essa refilmagem plano-a-plano. O que Haneke quer dizer, afinal? Será que ele se acha esperto demais apenas por se infiltrar no cinema estadunidense para refazer sua crítica a um tipo de exploração que vem principalmente desse país? O resultado é que dessa vez a contradição é ainda maior.