
Há uma certa vontade de ser grandioso neste O Curioso Caso de Benjamin Button. Em todos seus aspectos, é um filme deslumbrado em si mesmo. Ao contrário, por exemplo, de A Troca, de Clint Eastwood, ou Zodíaco, do próprio Fincher, que, apesar de duração parecida e um trabalho de reconstituição de época igualmente impecável, são filmes interessados em sua imagem, naquilo que está acontecendo dentro de seus planos. Em Benjamin Button, uma simples conversa entre o personagem principal e seu pai não começa sem antes um travelling revelar a grande produção do cenário onde os personagens estão. As cenas de guerra e/ou no barco soam ainda piores nesse aspecto.
O tom épico e o esforço da produção para ser indicado em todas as categorias possíveis do Oscar, demonstra que Fincher levou mais a sério o “curioso” do título do que o Benjamin Button. Não dá nem pra adjetivar o protagonista de apático, visto que passados os mais de 160 minutos de projeção não há envolvimento, não sabemos muito sobre este personagem, a não ser o curioso fato de crescer de trás pra frente. Parece faltar uma empatia maior entre diretor e personagem. O tempo passa, mas Benjamin é só um alguém em circunstâncias estranhas.
23 de janeiro de 2009
O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher (2)
por
Christopher Faust
às
02:51:00
Marcadores: David Fincher
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