Talvez pareça e talvez seja essa a impressão que uma parte da crítica teve do filme, mas definitivamente, Na Natureza Selvagem não é sobre um jovem que dá as costas para o conforto do lar e sai em busca da liberdade proporcionada pela natureza. Nada disso. Este longa-metragem de Sean Penn é um belo retrato em scope do egoismo, da incompatibilidade com o outro e da loucura.
Christopher McCandless, em sua jornada, encontrará diversas figuras, que ou cumprem a função paternal (o casal de hippies, o velho), fraternal (personagem de Vince Vaughn) ou “amorosa” (a jovem magrinha de 16 anos). Mas nenhuma dessas pessoas interessa a McCandless. Ele as encontra ao acaso e com elas permanece apenas em função de sua necessidade maior: chegar ao Alasca.
A busca pela felicidade, em McCandless, centra-se nele mesmo. Algo incomum no cinema norte-americano, clássico ou moderno, em que a alegria está no matrimônio, na família, na união, seja ela tradicional ou não. Os personagens do cinema do Tio Sam podem até podem ser solitários - como mostram 95% dos filmes “indies” -, mas jamais por vontade própria. A busca pelo outro pode estar sempre em evidência ou escondida sobre camadas de depressão e apatia. O fato é que ela existe.
Em Na Natureza Selvagem não há nada disso. McCandless e seu alter-ego, Alexander Supertramp, só se contentam plenamente estando a sós com eles mesmos. Mas até que ponto o personagem vive esta condição por vontade própria? Dois momentos-chave do filme talvez evidenciem que há algo de patológico na maneira como Supertramp evita o amor ou a paixão e o sexo, fornecidos por outros personagens: o primeiro deles é quando o jovem recusa uma transa com a garota magrinha de 17 anos.
Nunca de forma vulgar, vemos, desde que a menina aparece pela primeira vez, que ela é alguém doce, cheia de dotes artísticos e bastante bonita (além de ser alguém que vive no meio do nada e que deve estar louca para conhecer alguém novo). Não demora para que os dois se conheçam e que entre na banda sonora a voz e o violão de Eddie Vedder acompanhando os passeios do casal por entre a paisagem árida do oeste norte-americano. Penn, como toda vez em que Supertramp encontra um personagem pelo caminho, trata estes momentos com bastante ternura.
Finalmente chega a hora em que Tracy se oferece (sem nenhuma vulgaridade, é preciso frisar) ao nosso herói, que sem muita relutância, reclina a oferta. Para alguns (Christopher Faust, redator deste blog, inclusive) este é um claro momento em que Penn está dizendo “ei, olha só, o protagonista do meu filme é virtuoso! Ele não vai transar com uma menor de idade, por mais gatinha que ela seja!”. Como já disse anteriormente, me parece que, na verdade, Penn está dizendo “ei, olha só, o protagonista do meu filme é doente! Ele não consegue se relacionar com ninguém!
O outro momento-chave se dá quando Supertramp encontra-se com Ron, um velho que vive sozinho no meio do nada. Os dois se conhecem, McCandless passa a conviver com o idoso enquanto lhe convém e, quase que de forma furtiva, parte para o Alasca. Não sem antes ouvir Ron dizer que gostaria muito de adotá-lo, em uma interpretação por parte de Hal Holbrook simplesmente bonita. Penn, exímio diretor de atores, grande criador de climas, faz desta cena um dos momentos mais tocantes do filme. Não para Supertramp, que responde “primeiro quero ir pro Alasca”, ou algo similar.
É interessante notar que estes dois momentos acontecem no terceiro ato, quando (devido a estrutura não-linear do roteiro) sabemos há muito que o personagem realmente foi para o Alasca. Portanto, sabemos também que todas as tentativas dos personagens secundários em dar a Supertramp um lar, serão infrutíferas. E isso é bastante perturbador.
Não há duvidas que McCandless seja mesmo um herói, afinal, quase todos que cruzaram com ele, aprenderam uma lição. Esta é uma das posições tomadas por Penn que mais enfraquece o filme (sem falar na boba metáfora em que McCandless vê a si mesmo como um yuppie rindo com a cabeça jogada para trás e em câmera lenta).
McCandless quer fugir da sociedade? Ele precisa de mais espaço, como sugere uma das músicas do vocalista do Pearl Jam? O fato é que durante sua jornada, o jovem só encontrará pelo caminho pessoas “gente boa”. Muitíssimo “gente boa”, na verdade. Mesmo assim, não conseguirá ficar com nenhuma por muito tempo, deixando nelas um grande vazio. Supertramp não corresponde o amor (fraternal, paternal, fugaz) que recebe de praticamente todos que cruzam a tela. Só lhe interessa estar sentado sozinho em frente ao um ônibus mágico, sorrindo para ninguém, com a cabeça meio de lado, morto pelo próprio egoísmo.
Christopher McCandless, em sua jornada, encontrará diversas figuras, que ou cumprem a função paternal (o casal de hippies, o velho), fraternal (personagem de Vince Vaughn) ou “amorosa” (a jovem magrinha de 16 anos). Mas nenhuma dessas pessoas interessa a McCandless. Ele as encontra ao acaso e com elas permanece apenas em função de sua necessidade maior: chegar ao Alasca.
A busca pela felicidade, em McCandless, centra-se nele mesmo. Algo incomum no cinema norte-americano, clássico ou moderno, em que a alegria está no matrimônio, na família, na união, seja ela tradicional ou não. Os personagens do cinema do Tio Sam podem até podem ser solitários - como mostram 95% dos filmes “indies” -, mas jamais por vontade própria. A busca pelo outro pode estar sempre em evidência ou escondida sobre camadas de depressão e apatia. O fato é que ela existe.
Em Na Natureza Selvagem não há nada disso. McCandless e seu alter-ego, Alexander Supertramp, só se contentam plenamente estando a sós com eles mesmos. Mas até que ponto o personagem vive esta condição por vontade própria? Dois momentos-chave do filme talvez evidenciem que há algo de patológico na maneira como Supertramp evita o amor ou a paixão e o sexo, fornecidos por outros personagens: o primeiro deles é quando o jovem recusa uma transa com a garota magrinha de 17 anos.
Nunca de forma vulgar, vemos, desde que a menina aparece pela primeira vez, que ela é alguém doce, cheia de dotes artísticos e bastante bonita (além de ser alguém que vive no meio do nada e que deve estar louca para conhecer alguém novo). Não demora para que os dois se conheçam e que entre na banda sonora a voz e o violão de Eddie Vedder acompanhando os passeios do casal por entre a paisagem árida do oeste norte-americano. Penn, como toda vez em que Supertramp encontra um personagem pelo caminho, trata estes momentos com bastante ternura.
Finalmente chega a hora em que Tracy se oferece (sem nenhuma vulgaridade, é preciso frisar) ao nosso herói, que sem muita relutância, reclina a oferta. Para alguns (Christopher Faust, redator deste blog, inclusive) este é um claro momento em que Penn está dizendo “ei, olha só, o protagonista do meu filme é virtuoso! Ele não vai transar com uma menor de idade, por mais gatinha que ela seja!”. Como já disse anteriormente, me parece que, na verdade, Penn está dizendo “ei, olha só, o protagonista do meu filme é doente! Ele não consegue se relacionar com ninguém!
O outro momento-chave se dá quando Supertramp encontra-se com Ron, um velho que vive sozinho no meio do nada. Os dois se conhecem, McCandless passa a conviver com o idoso enquanto lhe convém e, quase que de forma furtiva, parte para o Alasca. Não sem antes ouvir Ron dizer que gostaria muito de adotá-lo, em uma interpretação por parte de Hal Holbrook simplesmente bonita. Penn, exímio diretor de atores, grande criador de climas, faz desta cena um dos momentos mais tocantes do filme. Não para Supertramp, que responde “primeiro quero ir pro Alasca”, ou algo similar.É interessante notar que estes dois momentos acontecem no terceiro ato, quando (devido a estrutura não-linear do roteiro) sabemos há muito que o personagem realmente foi para o Alasca. Portanto, sabemos também que todas as tentativas dos personagens secundários em dar a Supertramp um lar, serão infrutíferas. E isso é bastante perturbador.
Não há duvidas que McCandless seja mesmo um herói, afinal, quase todos que cruzaram com ele, aprenderam uma lição. Esta é uma das posições tomadas por Penn que mais enfraquece o filme (sem falar na boba metáfora em que McCandless vê a si mesmo como um yuppie rindo com a cabeça jogada para trás e em câmera lenta).
McCandless quer fugir da sociedade? Ele precisa de mais espaço, como sugere uma das músicas do vocalista do Pearl Jam? O fato é que durante sua jornada, o jovem só encontrará pelo caminho pessoas “gente boa”. Muitíssimo “gente boa”, na verdade. Mesmo assim, não conseguirá ficar com nenhuma por muito tempo, deixando nelas um grande vazio. Supertramp não corresponde o amor (fraternal, paternal, fugaz) que recebe de praticamente todos que cruzam a tela. Só lhe interessa estar sentado sozinho em frente ao um ônibus mágico, sorrindo para ninguém, com a cabeça meio de lado, morto pelo próprio egoísmo.

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