É difícil racionalizar, mas, incrível como a experiência que se tem diante de Bastardos Inglórios é a de estar em contato com um filme de cinema de verdade. Passados os créditos iniciais – eles existem, ao contrário do que acontece em boa parte dos longas-metragens ocidentais dos dias de hoje, em que, muitas vezes, sequer o nome da obra aparece, quanto menos o crédito da equipe; uma estratégia para se “ganhar tempo” –, o primeiro capítulo e o recado, como sempre em Tarantino (toda sua filmografia é marcada por deixar as coisas claras logo de início), está dado: isso aqui é o fruto de uma paixão racional. O cineasta ama o cinema do passado e o devolve para tela não sem antes passar por um enorme filtro.
Como sempre, outra vez, o resultado final passa longe das influências iniciais – Os 12 Condenados, o Inglorious Bastards, de Enzo G. Castellari -, das faíscas que fazem acender a vontade do diretor em começar um novo projeto.
O diretor, quando se faz valer de uma mise en scène "simples", é brilhante – vide a primeira cena. Quando se apropria de Leone e Peckinpah – a morte de Shosanna (Mélanie Laurent) – e de De Palma – troquem-se os nazistas fugindo das chamas por estudantes de ensino médio e o cinema por um ginásio e se tem Carrie, a Estranha – é tão brilhante quanto.
O filme, é claro, só poderia terminar de uma forma: Aldo Raine (Brad Pitt), olhando para câmera (o plano é parecidíssimo com o da foto que ilustra o post), dizendo: “acho que essa é minha obra-prima”. Ao lado de À Prova de Morte, sem dúvidas.

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