16 de outubro de 2009

Distrito 9, de Neill Blomkamp


O grande problema de parte destes filmes de ficção que buscam um “efeito de realidade” adotando a estética de um tipo de documentário, geralmente aquele mais próximo ao jornalismo, é que não conseguem lidar com a narrativa sem ter de romper – de maneira dissimulada, muitas vezes – com o conceito inicial. Distrito 9 começa com o personagem Wikus (Sharlto Copley) preparando-se para dar uma entrevista. Passam-se alguns minutos, em que a trama, seguindo os moldes didáticos de um Discovery Chanel, é explicada.

Não demora muito para que Blomkamp abandone este modelo – com eventuais retornos – e parta para a ação ininterrupta. É aí que o diretor parece dissolver Blade Runner – a flor de lata –,passando por Eu, Robô e chegando em Transformers. Ou seja, a receita para um sci-fi-humanista cheio de corre-corre.

Se existe algum interesse no longa, são naqueles primeiros minutos, em que ainda um mínimo (mínimo!) de novidade no tratamento do velho tema da invasão alienígena aparece. O inconveniente é que há uma desesperada vontade de conferir a Distrito 9 uma relevância social. Desesperada porque a maneira como o cineasta nos apresenta a metáfora dos extraterrestres como indesejados habitantes das favelas de Joanesburgo não seria mais explícita e renitente no programa dos Teletubbies.

Basta irmos até Romero e Verhoeven, mestres na inserção de comentários sócio-políticos em filmes vagabundões, para perceber o que falta em Blomkamp: ironia. Quer dizer, ela até existe, mas é ainda mais explícita.