
Fim dos Tempos é um Shyamalan de pretensões menores, mas nem por isso é menos potente do que os outros absurdos do diretor, incluindo aí as obras-primas Corpo Fechado e A Vila. Esse novo filme do diretor indiano funciona excepcionalmente bem em seus momentos menores, é em cenas simples como algumas das mortes ou conversas entre Mark Whalberg e sua sobrinha que Shyamalan mostra sua genialidade, que não é pouca.
Temos aqui uma trama que, dentre os filmes do diretor, é o que mais próximo chega de beirar ao ridículo (o que é um prato cheio para os detratores de Shyamalan). Pessoas começam a se matar, e a teoria que mais próximo chega de explicar os acontecimentos da história são algo sobre toxinas naturalmente liberadas por plantas. Essas toxinas seriam liberadas pelas plantas como uma defesa natural contra a humanidade. O que muitos tem chamado de um alerta sobre aquecimento global, me parece mais uma desculpa qualquer do diretor para justificar a premissa deste filme, e para Shyamalan trabalhar com os temas que tanto o agrada.
A câmera acompanha o tempo todo o casal principal, Mark Whalberg e Zooey Deschanel (tão bonitinha) em atuações bem estranhas. Eles não sabem do que estão correndo. Eles fogem do vento. Bem observou Roger Ebert em sua crítica, que Fim dos Tempos evita cenas óbvias e convencionais de rebeliões e multidões perdidas e descontroladas, para mostrar uma população quieta e apreensiva em meio a um ataque que eles não sabem o que é. É Guerra dos Mundos, do Spielberg, em sua essência, sem grandes efeitos especiais ou a mania de querer ser grandioso.
Já que estamos falando em referências cinematográficas, o que é aquela casa toda trancada de onde surgem tiros de 12? Nunca imaginaria um momento Sam Peckinpah num filme Shyamalan, me lembrou logo Sob o Domínio do Medo, até slow-motion tem! Logo depois, o casal chega a uma casa de uma velha louca isolada, onde a referência a O Exorcista é explicitada até nos diálogos.
Imaginem aqui um parágrafo final.
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