16 de junho de 2008

Fim dos Tempos, de M. Night Shyamalan


Fim dos Tempos é um Shyamalan de pretensões menores, mas nem por isso é menos potente do que os outros absurdos do diretor, incluindo aí as obras-primas Corpo Fechado e A Vila. Esse novo filme do diretor indiano funciona excepcionalmente bem em seus momentos menores, é em cenas simples como algumas das mortes ou conversas entre Mark Whalberg e sua sobrinha que Shyamalan mostra sua genialidade, que não é pouca.

Temos aqui uma trama que, dentre os filmes do diretor, é o que mais próximo chega de beirar ao ridículo (o que é um prato cheio para os detratores de Shyamalan). Pessoas começam a se matar, e a teoria que mais próximo chega de explicar os acontecimentos da história são algo sobre toxinas naturalmente liberadas por plantas. Essas toxinas seriam liberadas pelas plantas como uma defesa natural contra a humanidade. O que muitos tem chamado de um alerta sobre aquecimento global, me parece mais uma desculpa qualquer do diretor para justificar a premissa deste filme, e para Shyamalan trabalhar com os temas que tanto o agrada.

A câmera acompanha o tempo todo o casal principal, Mark Whalberg e Zooey Deschanel (tão bonitinha) em atuações bem estranhas. Eles não sabem do que estão correndo. Eles fogem do vento. Bem observou Roger Ebert em sua crítica, que Fim dos Tempos evita cenas óbvias e convencionais de rebeliões e multidões perdidas e descontroladas, para mostrar uma população quieta e apreensiva em meio a um ataque que eles não sabem o que é. É Guerra dos Mundos, do Spielberg, em sua essência, sem grandes efeitos especiais ou a mania de querer ser grandioso.

Talvez essa citação acima a Spielberg venha de uma das cenas finais deste Fim dos Tempos, que quase descamba pra um final spielberguiano, no sentido ruim da palavra, com uma mensagem sobre família. Felizmente Shyamalan é um grande cineasta, e na cena em que o casal principal se mostra mais íntimo, ainda que separados por um espaço físico, eles resolvem sair e entrar em contato com a natureza, enfrentar o vento. Uma bela cena, e nada Spielberg.

Já que estamos falando em referências cinematográficas, o que é aquela casa toda trancada de onde surgem tiros de 12? Nunca imaginaria um momento Sam Peckinpah num filme Shyamalan, me lembrou logo Sob o Domínio do Medo, até slow-motion tem! Logo depois, o casal chega a uma casa de uma velha louca isolada, onde a referência a O Exorcista é explicitada até nos diálogos.

Me fascina em Fim dos Tempos, a forma como a câmera acompanha sem muito rumo a jornada desse casal, tão pequeno em meio a esse acontecimento. Os protagonistas não tem rumo, por isso o roteiro não precisa de uma estrutura definida, são apenas situações por qual essas pessoas passam nessas situações específicas. As cenas virtuosas de Shyamalan, um cara que parece ter muito respeito com a morte em seus filmes, tais como a chuva de homens caindo ou o travelling que acompanha uma arma, em Fim dos Tempos encontra um contraponto não menos genial em mortes como a do cortador de grama ou do personagem do John Leguizamo, mas talvez meu momento preferido do filme ainda seja aquele em que Mark Whalberg consegue arrancar uma risada de sua sobrinha.

Imaginem aqui um parágrafo final.