Produto feito sob medida para os festivais de renome, que de toda forma tenta esconder, ora sob o manto do “documental”, ora sob a do “plano fixo à meia distância”, que não passa de um filme com dramaturgia absolutamente clássica. Há um ou outro truquezinho dramatúrgico moderno, como permitir que, ao final, os personagens sigam adiante, para algum destino/lugar que não diz respeito ao espectador, por isso lhe é ocultado. Mas isso não é o bastante para disfarçar que Linha de Passe nada mais é do que algo que não é!
Walter Sales e Daniela Thomas buscam um registro cru da realidade. Vemos isso na direção de arte, na fotografia, na interpretação. O código do documental é usado para fazer crer que se passa na tela é muito próximo da vida como ela é. O problema são os paralelismos, os contra pontos, as simetrias bobas (a mão crispada da torcedora/ a mão crispada da evangélica),as orquestrações de situações. Fica tudo muito claro: há duas mentes controlando, arbitrariamente, os personagens, levando-os até um ponto em que eles possam compor a situação ideal imaginada pelos cineastas. Nada contra tal estratégia. O problema é escolher uma forma que contradiz esse tipo de intenção.
26 de setembro de 2008
Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas
por
Wellington Sari
às
11:09:00
Marcadores: Daniela Thomas, Walter Salles
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