22 de maio de 2009

Caleidoscópio / Sob a Luz da Vela / Parasara


Foram exibidos ontem, na Cinemateca de Curitiba, três curtas-metragens contemplados pelo Edital Filme Digital, de 2007. Seguem algumas impressões.

Dois filmes com temática parecida – o mundo “mágico” das crianças – e uma animação em rotoscopia a la Waking Life e O Homem Duplo. É difícil não pensar nestes curtas sem relacionar os primeiros de um lado e o último em outro. Não só pelos motivos óbvios – as diferenças no conteúdo e na forma -, mas pelos resultados alcançados.

Caleidoscópio, de Gustavo Ribas e Murilo Wesolowicz e Sob a Luz da Vela, de Karina de Souza, já de início evidenciam que o mundo do qual habitam seus personagens mirins não é o “real”. O primeiro por meio do uso de “efeitos cênicos” - fumaça de gelo seco imitando neblina, bolhas de sabão - e o segundo apoiado na voz em off. A música, nesse sentido, também desempenha um papel importante - ambos parecem adorar cellos e xilofones.

O curta de Ribas e Wesolowicz até consegue, nos primeiros minutos, ser bem sucedido na proposta de nos fazer adentrar no universo da imaginação - algo fundamental para que virada do roteiro, ao final, cause alguma surpresa. O problema é que, a partir do momento em que os personagens começam a falar, a direção de atores se mostra deficiente. E aí fica um pouco difícil prestar atenção em outra coisa.

Sob a Luz da Vela também é capaz em construir um mundo “imaginário”, principalmente pelo uso não-realista do som. No entanto, algumas incoerências dramatúrgicas, como a relação de medo entre o casal mirim e a bruxa - na primeira vez que a vêem, os dois saem correndo; na segunda, dividem, tranquilamente, o mesmo quadro - e alguns problemas de eixo acabam gerando um estranhamento que não convém ao tipo de cinema buscado por Karina. Há ainda o uso sistemático da fusão nas transições de cena, o que, a princípio, causa quase um mal-estar. Entretanto, esta é uma questão estética das mais interessantes para se pensar sobre...(o resgate de um recurso formal largamente utilizado no cinema durante muito tempo e que hoje parece ter sido esquecido, me remete a uma inocência, no bom sentido, que de alguma forma combina com a história contada em Sob a Luz da Vela).

Parasara, de Igor Moura, parece buscar, descaradamente, uma semelhança com Waking Life e O Homem Duplo. Até consegue. Por isso a distinção feita no primeiro parágrafo. Agora, até que ponto alcançar tal objetivo é algo a ser comemorado eu não sei.