30 de dezembro de 2009

Efeitos da Cobertura sobre a Mostra Avec 2009

Foi Cacá Diegues quem disse, certa vez, que o crítico daqui deveria se preocupar em refletir mais o cinema brasileiro a outro qualquer. Análises sobre filmes produzidos recentemente no país, segundo o diretor, causariam efeito na produção local, ao contrário do que se tratassem do último lançamento de Martin Scorsese, por exemplo. Pois, este jamais ficaria sabendo que uma linha sequer teria sido redigida sobre sua obra.

Mesmo relevando tal pensamento – além de ser de uma pequenez incrível, pressupõem poder que talvez a crítica não detenha – me parece interessante colocá-lo sob o prisma da repercussão tida pela cobertura da Mostra Avec 2009 (em especial, ao que Christopher escreveu).

Não é que a pretensão ao elaborar meu texto fosse primeiramente causar rebuliço. Falo por mim, é claro - já que o Pé em Quadro não é nada além de um blog e, portanto, não precisa de um posicionamento editorial, o que significa cada um escrever sobre o que quiser, da maneira que achar melhor. A intenção primordial era simplesmente responder ao conjunto de trabalhos exibidos em um evento específico. Mas, tanto melhor se houvesse também retorno por parte dos interessados – cineastas? estudantes? membros da famigerada lista de “discussão” cineartecwb? público do cinema paranaense em geral?

Infelizmente, para mim, o escrito causou pouco efeito - não aquele, pragmático, insinuado pelo autor de Quando o carnaval chegar, mas “emocional”, de defesa aos objetos criticados, de repúdio à própria crítica, ou qualquer coisa assim.

É claro, sabemos que o alcance do blog é limitadíssimo. No entanto, pode-se monitorar a quantidade de acessos à página. Basta clicar no ícone abaixo de “contadores”, no canto direito do site. Os três textos postados (além dos já citados, o do Alexandre, que também passou em branco) fizeram aumentar consideravelmente o número de visitas. Por isso a expectativa pelos comentários não era descabida.

Expectativa que foi suprida pela terceira parte da cobertura da Mostra Avec 2009. Suprida em partes, melhor dizendo. Pedro Merege e Estevan Silveira, diretores paranaenses, reagiram aos apontamentos feitos pelo estudante da Cinetvpr *.

Antes de continuar, reproduzo aqui, fielmente, as duas primeiras observações de ambos:


Os geniozinhos da escolinha. Precisam comer ainda muito feijão ou mostrar seus filmes geniais. Ou apenas ter um pouquinho de humildade e aprender alguma coisa.
P Merege

***

Caros e mediocres criticos do sem pé e fora de quadro.

com vcs , futuros criticocozinhos ,e
alunos de escolinha sem ética .
como será o inesperado futuro do cinema paranaense?
quem dera não brasileiro.
Ahh... melina, chris e wellington,
falam de : narração em off, muleta, legitimidade artística,
redundância, terceiro plano, etc. Mas não sabem ler os créditos,
quem dera entender o estilo do professor de fotografia
( Alziro Barbosa ).
No filme em Busca de Curitiba Perdida a fotografia é de Rubens Eleutério,
Sabem quem foi ? procurem, estudem , aprendam, mas não falem M...
Minha curitiba não é a sua, só para seu governo.
e minhas prostitutas poderiam ser bem melhores, se ,
quando fiz o teste de elenco suas primas, irmãs ou talvez
até as santas ... pudesssssem comparecer e provar que as
prostitutas são também belas e bem arrumadas.
Já ouviram falar de transposição cinematográfica, ou sobre a
história do cinema brasileiro,
ou do filme guerra conjugal , de Joaquim Pedro de Andrade?
“ que, aparenta ser tirada literalmente do texto do qual é
baseado, muleta comum no cinema... “
falar em baseado, apareçam na próxima paseata a favor, não
fiquem só nessa, viajo, viajo, viajo...
Cuidado, cuidado, com a força das palavras...
Hoje é natal, paramos por aqui.
Deixem – m, assistir a missa do galo,
e Um feliz natal e prospero ano novo,
Mas , não continuem assim...
estevan silvera

***

É profundamente desanimador (um pouco risível, especialmente no segundo caso, que lembra a atitude, ao menos original, tomada pelo infame cineasta alemão Uwe Boll, de desafiar os críticos que desgostassem de seus filmes para uma luta de boxe...) que se dê nesse tom e nessa pobreza de espírito – mais uma vez, refiro-me principalmente a Estevan - a manifestação dos “efeitos causados” em homens adultos, lembremos, responsáveis por uma parcela da produção cultural realizada no Paraná.

É evidente o cerne das três críticas sobre a mostra: por mais que denunciem uma tomada de posição de nossa parte, esboçam uma tentativa de diálogo entre pessoas da “nova” e da “velha geração”. Algo que, sinceramente, agora parece inviável. Cada um dos “lados” pode, então, fechar os olhos e ignorar o outro. Todos sairão perdendo, não há dúvida. Uns mais, outros menos. Bem menos.


* O restante da discussão pode ser acompanhada na sessão de comentários deste post.