
Pensei que o diretor de grandes filmes como Professora de Piano e Caché pudesse ter esquecido um tal filminho bobo que havia feito lá em 1997, mas Michael Haneke resolveu refilmar, literalmente, seu Violência Gratuita. A diferença é que agora trata-se de um filme americano, falado em inglês.
É estranha a sensação de rever um filme que você não gosta em uma nova roupagem. Fui pois há tanta gente que ama esse filme, que uma revisão pudesse me fazer, quem sabe, rever meus conceitos sobre a obra. Mas eis que chega a tal cena do controle remoto e continuo achando aquilo a coisa mais boba do mundo. O pior uso de metalinguagem da história do cinema. Parece idéia de universitário.
A melhor definição que posso encontrar é de que este é um filme de violência para pessoas que não gostam de filmes violência. Esta é a contradição que permeia todos os fotogramas da película. Não consigo imaginar alguém gostando de Violência Gratuita e também de Carpenter, Romero ou Tarantino. E, convenhamos, alguém que não gosta de Carpenter, Romero ou Tarantino (especialmente pós-Jackie Brown), bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé. (ok, finjam que essa última frase não existe)
Daí vem essa refilmagem plano-a-plano. O que Haneke quer dizer, afinal? Será que ele se acha esperto demais apenas por se infiltrar no cinema estadunidense para refazer sua crítica a um tipo de exploração que vem principalmente desse país? O resultado é que dessa vez a contradição é ainda maior.
30 de janeiro de 2009
Violência Gratuita (2008), de Michael Haneke
por
Christopher Faust
às
01:59:00
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23 de janeiro de 2009
O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher (2)

Há uma certa vontade de ser grandioso neste O Curioso Caso de Benjamin Button. Em todos seus aspectos, é um filme deslumbrado em si mesmo. Ao contrário, por exemplo, de A Troca, de Clint Eastwood, ou Zodíaco, do próprio Fincher, que, apesar de duração parecida e um trabalho de reconstituição de época igualmente impecável, são filmes interessados em sua imagem, naquilo que está acontecendo dentro de seus planos. Em Benjamin Button, uma simples conversa entre o personagem principal e seu pai não começa sem antes um travelling revelar a grande produção do cenário onde os personagens estão. As cenas de guerra e/ou no barco soam ainda piores nesse aspecto.
O tom épico e o esforço da produção para ser indicado em todas as categorias possíveis do Oscar, demonstra que Fincher levou mais a sério o “curioso” do título do que o Benjamin Button. Não dá nem pra adjetivar o protagonista de apático, visto que passados os mais de 160 minutos de projeção não há envolvimento, não sabemos muito sobre este personagem, a não ser o curioso fato de crescer de trás pra frente. Parece faltar uma empatia maior entre diretor e personagem. O tempo passa, mas Benjamin é só um alguém em circunstâncias estranhas.
por
Christopher Faust
às
02:51:00
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Marcadores: David Fincher
22 de janeiro de 2009
O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher
por
Wellington Sari
às
11:24:00
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10 de janeiro de 2009
Romance, de Guel Arraes

Nada de mais neste filme que não é um filme, e sim uma redundância. Quer dizer, “nada de mais” no sentido de algo novo, criativo, ou até interessante. Porque o “mais” está sempre presente em Romance: a partir do momento em que se estabelece o “tema”, a base teórica da história (a narrativa de Tristão e Isolda), o que se dá logo no início, não haverá descanso para o espectador. A todo instante Arraes re-diz o já dito, acrescenta à soma, mostra o já visto. Muito de forma verbal, mas não só: o motivo das duas taças de vinho, enquadradas em detalhe, aparece no mínimo três vezes, não para dar novo significado a uma informação antiga, mas para simplesmente reforçá-lo. "Conte para eles o suficiente para lhes deixar algum mistério", disse John Ford. Arraes não ouviu.
Da mise-en-scène pobre, que, em diversos momentos, se pretende teatral (para justificar a história, que trata de um diretor de teatro e uma atriz), mas que nem isso consegue alcançar, chegando, no máximo, a ser uma plataforma para o overacting dos atores – Letícia Sabatella, para ser mais preciso – pouco há o que falar. A não ser o seguinte: Arraes parece estar filmando exatamente o especial de TV de um capítulo que o personagem de Wagner Moura realiza na diegese. Tanto é que a decupagem de determinada cena do tal programa, quando nos é mostrada pelo diretor de Lisbela e o Prisioneiro, que teoricamente é independente das escolhas feitas pelo 'diretor diegético', é muitíssimo parecida com a que é feita pelo personagem de Moura e que depois nos é mostrada pela TV, quando o programa está sendo exibido aos outros personagens. A velha e batida acusação de que Arraes faz televisão em tela grande continua, firme e forte.
Mas, é preciso ser dito: como o criador de um inventário de tipos, o diretor é bastante competente. A produtora e o produtor que só pensam em ganhar dinheiro, interpretados por Andréa Beltrão e José Wilker, respectivamente, são engraçadíssimos. Outras caricaturas, como o do ator veterano mala, o aspirante a ator mala e a do ator/diretor de teatro com integridade artística, seja lá o que isso queira dizer, também são muito bem feitas.
Quem sabe, Romance daria uma satisfatória (em termos de audiência) minissérie especial em quatro capítulos. Para o cinema, no entanto, ainda é muito pouco.
por
Wellington Sari
às
00:56:00
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