1 de setembro de 2009

Se Beber, Não Case, de Todd Phillips


Um dos melhores filmes lançados nos cinemas esse ano, Eu Te Amo, Cara, de John Hamburger, é uma comédia em ode à amizade masculina, onde os clichês da estrutura da comédia romântica aparecem na busca do personagem de Paul Rudd por um padrinho de casamento e amigo seu. É um filme que defende o prazer de ir a um bom show de rock ou de simplesmente passar uma noite bebendo e conversando com um amigo. Agora a comédia da vez é Se Beber, Não Case, que muito mais do que sobre se ter amigos, é um filme em defesa à bebedeira. Logo depois de acordarem de uma noite da qual não se lembram, um personagem pergunta “Por que a gente não se lembra de absolutamente nada do que aconteceu ontem a noite?”, e a resposta vem pronta na boca de outro personagem “Obviamente porque a gente se divertiu muito”. É o que importa.

Fica difícil falar de Se Beber, Não Case, sem mencionar uma certa tendência atual da comédia americana, capitaneada especialmente pelo nome de Judd Apatow (que tem em Ligeiramente Grávidos seu grande filme), de vangloriar a amizade entre homens e de mostrar personagens adultos agindo como adolescentes, ou pelo menos defender o direito desses adultos de conservar certas atitudes adolescentes em meio a uma necessidade natural de se crescer.

Phil, Stu e Doug são personagens com compromissos e com mulheres (um casado, um prestes a se casar, e outro prestes a propôr), o casamento e o trabalho são vistos pelo filme como consequência natural da vida adulta, e a ida a Las Vegas para uma despedida de solteiro regada a álcool é uma espécie de catarse em meio à essa monotonia. Uma fuga, um respiro, uma necessidade de viver mais. Interessante ver também a forma como o sogro de Doug defende essa viagem do futuro genro. “O que acontece em Vegas, fica em Vegas” é uma frase repetida por ele. Um certo código é seguido e respeitado por homens, de diferentes gerações. Há ainda Alan, personagem que mais rende risadas, um tipo meio bobo, que vai a Las Vegas não para extravasar, mas porque vê nesses três a oportunidade de finalmente ter amigos. Afinal, loucura sem companhia não diverte ninguém.

Cara, Cadê Meu Carro utilizava de uma premissa parecida para ir longe no fantástico e criar uma trama tão estúpida quanto seus dois protagonistas (e isso é um elogio ao filme), Se Beber, Não Case também vai longe, mas prefere apostar no absurdo. O início da bebedeira no terraço é seguido do despertar no dia seguinte, com uma suíte completamente bagunçada, um bebê, um tigre, uma galinha, e uma viatura de polícia os esperando em frente ao hotel. Mais tarde chegaremos ainda a Mike Tyson cantando Phil Collins e um japônes meio ninja meio gay (este talvez o único elemento em que Todd Phillips exagera demais na busca pelo riso).

Apesar de ser Alan o mais simpático dos personagens e Phil o mais sensato, é em Stu que parece se encontrar a base de tudo o que Phillips pretende dizer. Um cara certinho até demais, submisso à sua namorada, e que bêbado demonstra ser um dos caras mais loucos que qualquer um já conheceu. A bebedeira o faz perder um dente, casar com Heather Graham e, na volta, largar sua namorada chata que havia transado com um barman num transatlântico anos atrás. Tudo porque a moral aqui é a de que, apesar de tudo, beber e se divertir faz bem.

Qual a boa hoje?