
World Cinema detected.
Um mero filme genérico de festival de cinema. Pense em Berlim, Roterdã, Veneza, Un Certain Regard em Cannes, e teremos vários filmes pretensamente artísticos muito parecidos, em obras que seriam iguais feitos na Ásia, na América Latina ou em algum país do leste europeu. Até mesmo a inserção de algum elemento mais regional como os casamentos bizarros recorrentes ao longo da projeção encontra um similar em, por exemplo, Ping Pong da Mongólia, horroroso filme mongol lançado nos cinemas brasileiros em 2007 que leva a sério uma premissa já muito bem desenvolvida em Os Deuses Devem Estar Loucos.
Talvez mais interessante do que pensar sobre este filme de metáforas fáceis, seja observar o tipo de “filme de arte” que vem sendo lançado nos cinemas brasileiros, e que, em Curitiba, entopem as salas do Unibanco Arteplex e do Cineplex Batel. São filmes que chegam por respaldo de algum festival ou um exemplar do cinema de bom gosto europeu. Nada explica, por exemplo, o lançamento de A Onda ou Grupo Baader Meinhof em detrimento de outras obras de muito maior interesse. De vez em quando, surgem grandes propostas de cinema como Entre os Muros da Escola e Vocês, os Vivos, mas o padrão é que os cinéfilos se contentem com um Hà Tanto Tempo que Te Amo ou este peruano vencedor de Berlim. Pra quê estes filmes? Por que estes filmes? Me parecem existir só para servir a um nicho de mercado. São filmes puramente comerciais.
Ver A Teta Assustada me faz pensar que Cinemark e UCI não são tão ruins assim, e Exterminador do Futuro 3 ou Brüno, apesar de seus problemas, tem muito mais cinema a oferecer do que estes genéricos de festivais. E se G.I. Joe, dirigido pelo sub-Michael Bay Stephen Sommers, é entupido de travellings em direção aos personagens antes ou após falas importantes, há em A Teta Assustada a versão “arte” destes travellings, poéticos e mais lentos, indo da velha até a protagonista no plano inicial ou apenas com essa personagem principal inexpressiva (outro clichê dos “filmes de festival”) se olhando em frente a um espelho. Dois filmes igualmente bobos, que com estes movimentos conseguem a proeza de dizer nada. Se há vida inteligente em cartaz hoje em Curitiba, ela está em Se Beber, Não Case e em Arraste-me Para o Inferno. Mas estes são próximos textos.
29 de agosto de 2009
A Teta Assustada, de Clauda Llosa
por
Christopher Faust
às
08:34:00
Marcadores: Claudia Llosa
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