18 de agosto de 2009

Brüno, de Larry Charles


Há um pipi na tela. Em close. “Falando” Brüno. Você pode chamá-lo de pipi. O filme, nem a pau. Ele prefere fazer uso de todo o panteão de sinônimos utilizado pelos grandes caras do programa Hermes e Renato. Quando digo o filme, quero dizer a imagem, pois, não é que os personagens fiquem conversando sobre pênis, e sim, que nenhum plano do longa dê qualquer chance ao eufemismo, à sutiliza, ao piu piu. O que lhe interessa é o caralho. A trolha.

O filme não deixa de pagar por isso. Se, por um lado, Brüno causa certa empatia e desperta um sentimento de rebeldia juvenil – aquela que sentimos ao ouvir Raimundos no começo da adolescência, por exemplo - , ao ser tão politicamente incorreto, blasfemo e grotesco, por outro, não demora muito a se tornar enfadonho – quem não se entediaria ao ouvir um disco inteiro preenchido com Esporrei na Manivela?

Talvez, a comparação entre Sasha Baron Cohen e Raimundos seja um tanto injusta. Afinal, por trás da grosseria e da bestialidade, existe uma hábil capacidade de observar alguns pontos do mundo tecnológico e das celebridades e satirizá-los com bastante precisão (toda a questão da adoção da criança africana por meio de escambo envolvendo produtos da Apple, que por si só já é bem abrangente), o que deixa o filme um pouco menos inofensivo.

Mesmo que a tentativa de estabelecer uma equivalência entre a banda de Puteiro em João Pessoa e o longa de Larry Charles resulte imprecisa, ela permanece. Afinal, é difícil não pensar que o efeito provocado por ambas seja bem parecido. Não é que se cobre a troca do pênis (e todas as imagens grotescas) por elegância e bom gosto. Nem que se substitua “puteiro” por “zueiro”. Os bocas sujas são necessários ao mundo. Mas é que sacanagem o tempo todo soa como falta de criatividade.