26 de agosto de 2009

A Vida Secreta das Abelhas, de Gina Prince-Bythewood


Os primeiros planos do filme são de dar medo: câmera na mão, fazendo passagens de foco, ora enquadrando por entre uma porta, ora objetos em close – uma arma e uma bola de gude -, que, levam a crer, ganharão importância simbólica durante todo o resto da narrativa. Ou seja, parece que teremos mais um filme típico da marca Fox Searchlight (poderia ser Paramount Vintage, Focus Features, tanto faz).

Por sorte, ao decorrer do longa tal impressão vai se desfazendo. A Vida Secreta das Abelhas é bem menos afetado e muito mais sereno do que seu início sugere. Aquelas marcas que se repetem infinitamente em filmes que se pretendem “sensíveis” – a música minimalista ou o folk, os desfoques, os planos detalhe com câmera na mão – são aqui deixadas de lado. Não que Gina Prince-Bythewood não demonstre querer fazer uma obra “sensível” – caso contrário a logo da Fox Searchlight não estária no início dos créditos. Mas, para chegar a tal qualidade, a diretora se vale de outros meios, como os atores, a luz e a montagem.

Disse “ os atores”. Para ser mais específico, troco por “Dakota Fenning”. Não há dúvidas de que ela é uma ótima atriz e também não há dúvidas de que têm olhos muito bonitos e expressivos. A jovem não precisa de muito esforço para nos causar simpatia.

Gina parece ter conciência de que toda meiguice de seu filme pode provir de Dakota, e não do uso de determinada lente, da escolha de certa música fofinha. Por iso mesmo ela busca gestos da atriz que não necessariamente tem um significado dramático: em uma cena de diálogo, filmado em plano/contraplano, apos terminada a conversa, a cineasta se demora um tempinho a mais na jovem, até ela passar a mão no cabelo.

Pequenos gestos e a personagem de Dakota em si parecem interessar mais do que as questões que, teoricamente, seriam as de maior relevância.

A questão da segregação - o filme se passa na Carolina do Sul, nos anos 60 -, apesar provocar movimentos da dramaturgia, é tratada de forma bastante leve (obviamente existem incontáveis filmes em que observamos os dramas intimos se desenrolarem em um contexto social efervescente, mas são poucos os que dão conta da tal leveza). Disto resulta um dos maiores méritos de A Vida Secreta das Abelhas que é não ser um filme sobre negros e brancos, mas sobre pessoas, banhadas pela luz dourada do sol do fim de tarde.