15 de agosto de 2009

Apenas o Fim, de Matheus Souza


A guria diz pro cara: “ei, a gente tem uma hora antes que eu vá embora pra sempre. Você prefere ir pro nosso lugar secreto e ficar transando durante essa uma hora, ou, sair por aí pra conversar?”. O cara não titubeia em escolher a segunda opção. Tenho a impressão que a primeira só esta no filme “pra constar”. Não parece que ela sequer tenha sido considerada. Fica bem claro que Matheus Souza encontra gozo nas palavras e não na observação dos gestos, dos toques, enfim, daquelas ações que demonstram o amor entre duas pessoas . Provavelmente, aliás, se a frase anterior estivesse em Apenas o Fim, viria acompanhada de uma piadinha, uma auto-defesa. Para que não digam que seu filme é brega, teatro filmado ou que o acusem de negligenciar “questões sociais”, Souza insere no longa diálogos em que os personagens fazem referência as três situações, mostrando, assim, estar se antecipando as possíveis críticas. Fazer uma personagem mencionar sexo parece mais uma destas auto-defesas – para que não digam: “que nerd! Ao invés de transar com a guria, fica conversando sobre He-Man... ou Fanático, que seja”.

Mas, tudo bem. Não interessa o que o filme poderia ter sido, mas o que é: uma sessão de análise pop. Ou o histórico de um relacionamento mediado pela cultura pop.

De qualquer forma, é sempre a palavra, sempre a referência, sempre o remeter a algo e nunca a coisa em si: entendemos que o casal está sofrendo com a separação porque é isso que eles nos dizem. Não vemos isto acontecer (a bem da verdade, há uma breve cena em que os dois se separam e choram. No entanto, após tanta auto-defesa, me pareceu díficil entrar no clima).

Apesar de tudo o filme diz – literalmente – bastante para pessoas da minha idade. Isso é bom.