12 de agosto de 2008

Antes de Partir, de Rob Reiner


Atores que viram clichês deles mesmos. Hollywood tem dessas coisas.

Jack Nicholson é inegavelmente um grande ator, dos maiores que a América de cima já teve, mas o que se vê em alguns de seus filmes recentes parece apenas uma variação de seu Melvin, de Melhor é Impossível, que por sua vez é uma variação da própria persona do ator/personagem Jack Nicholson fora das telas. Alguém tem que Ceder, este Antes de Partir e até mesmo Confissões de Schmidt não me deixam mentir. Felizmente Nicholson é versátil, e diretores como Sean Penn, Bob Rafelson e, mais recentemente, Martin Scorsese, não o deixam cair em um estereótipo. Com Morgan Freeman, o negócio é diferente.

Impossível saber desde quando Morgan Freeman virou o ator/personagem que é hoje. Esse talvez seja o maior mistério da humanidade, logo atrás da questão de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Em 95% de seus filmes, ele é um sábio, geralmente o narrador, que muda a vida dos personagens principais. Aliás, não me lembro de um filme onde Freeman seja protagonista absoluto, ele sempre parece ser coadjuvante ou divide a tela com algum outro protagonista, geralmente um branco. Nem mesmo grandes diretores cpnseguem salvar o ator de seu estereótipo (não é mesmo, Clint Eastwood?).

A verdade é que Morgan Freeman virou (ou sempre foi) o maior coadjuvante de luxo do cinema hollywodiano atual. É só notar que todos os blockbusters americanos tem o Morgan Freeman como coadjuvante, ou então o Michael Caine (Samuel L. Jackson e Alec Baldwin são variações desses dois). A não ser o Batman, que como quer ser o maior blockbuster americano de todos os tempos, tem que ter os dois maiores coadjuvantes de luxo de Hollywood, Morgan Freeman mais o Michael Caine.

Antes de Partir tem um roteiro sydfieldiano, clichê por excelência. As personas de Freeman e Nicholson já são conhecidas do grande público, e como não há nenhuma grande quebra dessas personas ou inventividades do roteiro, o filme sofre de uma grande previsibilidade. Os destinos dos personagens já parecem traçados desde o começo. A premissa, interessante até certo ponto, sobre dois caras em seus últimos dias de vida que resolvem listar coisas a fazer antes da morte e as fazem, é desperdiçada num filme onde o conceito de felicidade está diretamente ligado a dinheiro. Apesar de uma das cenas finais de Nicholson querer desmentir isso, é o que se prega durante toda a projeção.

Não sei quando Rob Reiner virou o diretor desinteressante que é hoje. O cara começou com o inspirado e hilariante mockumentary This is Spinal Tap sobre uma banda de rock que nunca existiu. Depois se mostrou bastante versátil, fazendo alguns ótimos filmes, bem diferentes entre si, como Conta Comigo, baseado em Stephen King, a comédia romântica Harry e Sally - Feitos um Para o Outro, e o hitchcockiano Louca Obsessão. Nos anos 90, porém, o diretor parece ter se perdido em meio a indústria, fazendo apenas projetos desinteressantes, que não chegaram a lugar algum. Só as sinopses de Dizem Por Aí..., que não vi, e Alex e Emma, que é ruim, seus dois filmes anteriores a Antes de Partir, mostra que falta ao Rob Reiner de hoje, um pouco da inspiração e talvez da coragem do Rob Reiner dos anos 80. Pois é.