No meio de uma sessão a 1 real de Cão Sem Dono no Cine Luz em algum domingo de 2007 um cara saiu brabo e esbravejando “se eu quisesse ver filme pornô, ficava em casa”. Não entendi muito bem o que ele quis dizer com isso. Não entendi também porque eu comecei esse texto contando isso. Talvez tenha sido porque esse é um filme que diz muito através do sexo. Talvez porque tudo é sexo, apesar de nem tudo ser sexo. Talvez porque o cara que saiu indignado e resmungando na sessão não consiga ver o sexo além do sexo. E talvez eu devesse usar alguma vírgula nesse parágrafo. Mas é que eu gosto de pontos.
Tainá Muller é gostosa. A mulher é linda, maravilhosa, gostosa mesmo, e ainda por cima me pareceu uma boa atriz. Eu ia fazer alguma relação entre o fato dela ser gostosa com o filme, mas esqueci qual era essa relação. Deve ser a insônia. Mas a questão é que Cão sem Dono é um filme que está além das imagens, assim como a existência de Tainá Muller está além de ser gostosa (talvez era essa a relação, enfim), a verdade é que a “alma” de Cão sem Dono está nos entres. Está nos atores coadjuvantes, todos geniais, se dedicando ao máximo em suas singelas e essenciais participações, e está nos momentos de vida do casal principal, Ciro e a gostosa, nos momentos que estão no filme e que não estão. As elipses em Cão sem Dono dizem muito.
Beto Brant fez em 2005 um filme do caralho chamado Crime Delicado, lindo, estático, deficiente, marcante. Cão sem Dono também é lindo e também é deficiente, mas não é estático, ao menos não em sua estética. Cão sem Dono está em Lupcínio Rodrigues, está na (aparente) falta de equipamentos de luz, está na câmera digital na mão, está nos seus 2,4 milhões gastos num filme que parece ser feito com 500mil. A cena que parece definir perfeitamente Cão sem Dono são os dois caras bêbados num bar, conversando sobre ela.
Os telefonemas, também esses alguns no filme e alguns nos entres. Telefonar ou não telefonar, eis a questão. O sexo é bom, mas às vezes triste, melancólico, até macabro. Relações são inexplicáveis, são inexoráveis. Alguns livros russos às vezes precisam ser traduzidos, ou os tradutores apenas querem dinheiro. Os pais esperam o filho para jantar algumas vezes, nas cenas que são as mais tocantes do filme. O pai também é o filho.
Tainá Muller é gostosa. A mulher é linda, maravilhosa, gostosa mesmo, e ainda por cima me pareceu uma boa atriz. Eu ia fazer alguma relação entre o fato dela ser gostosa com o filme, mas esqueci qual era essa relação. Deve ser a insônia. Mas a questão é que Cão sem Dono é um filme que está além das imagens, assim como a existência de Tainá Muller está além de ser gostosa (talvez era essa a relação, enfim), a verdade é que a “alma” de Cão sem Dono está nos entres. Está nos atores coadjuvantes, todos geniais, se dedicando ao máximo em suas singelas e essenciais participações, e está nos momentos de vida do casal principal, Ciro e a gostosa, nos momentos que estão no filme e que não estão. As elipses em Cão sem Dono dizem muito.
Beto Brant fez em 2005 um filme do caralho chamado Crime Delicado, lindo, estático, deficiente, marcante. Cão sem Dono também é lindo e também é deficiente, mas não é estático, ao menos não em sua estética. Cão sem Dono está em Lupcínio Rodrigues, está na (aparente) falta de equipamentos de luz, está na câmera digital na mão, está nos seus 2,4 milhões gastos num filme que parece ser feito com 500mil. A cena que parece definir perfeitamente Cão sem Dono são os dois caras bêbados num bar, conversando sobre ela.
Os telefonemas, também esses alguns no filme e alguns nos entres. Telefonar ou não telefonar, eis a questão. O sexo é bom, mas às vezes triste, melancólico, até macabro. Relações são inexplicáveis, são inexoráveis. Alguns livros russos às vezes precisam ser traduzidos, ou os tradutores apenas querem dinheiro. Os pais esperam o filho para jantar algumas vezes, nas cenas que são as mais tocantes do filme. O pai também é o filho.
Um final bizarro e abrupto. Mas perfeito. E pessoas vêem filmes pornô em suas casas.

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