5 de fevereiro de 2008

Juno, de Jason Reitman



Juno tenta te mostrar a todo custo que é um filme cool. As músicas, os diálogos, o figurino, a direção de arte, os créditos do filme: tudo gira em torno do universo cool. Por mais que pareça algo negativo, esta característica do longa-metragem de Jason Reitman acaba sendo uma estratégia muito boa para fazer o público ligado ao tipo de cultura constantemente citada no filme – Dario Argento, Sonic Youth, Patty Smith, e tantas outras coisas – se ver representado na tela. E em um filme que busca exclusivamente o realismo, isto é essencial.

Não que tal estratégia tenha tons maquiavélicos, no sentido de ser friamente planejada. Aparentemente a roteirista Diablo Cody vive e conhece este tipo de mundo, e basta ver uma foto sua para se chegar a esta conclusão. Juno não soa forçado. Não é nada como um Sol de Cada Manhã, só para citar um exemplo.

Reitman e Diablo parecem ter consciência do que estão fazendo e não querem esconder o jogo. Em determinado momento, quando Juno diz ao seu namorado Bleeker – interpretado brilhantemente por Michael Cera – que gosta dele porque é cool, sem precisar se esforçar, o guri responde: “Na verdade eu me esforço bastante”.

Nada que atrapalhe profundamente o filme, que é a história de uma adolescente que fica grávida aos 16 anos e precisa lidar com este, no caso dela, entrave. Apesar de não ser tão maravilhoso quanto a badalação em torno do longa parece nos querer fazer acreditar, Juno acerta em cheio em pelo menos um aspecto: a composição dos personagens, que em sua maioria é bem construída. Os adultos, nem tanto, mas em contrapartida são os que exercem maior fascínio. Um exemplo é o casal que irá ficar com o filho da protagonista, depois que ele nascer. Pouco nos é revelado sobre o seu passado e como eles chegaram ao ponto em que estão. Isso levanta perguntas do tipo “como o marido, que antes era um cara descolado que tocava em uma banda de rock aceitou se casar e conviver com uma mulher que o proíbe de ver os filmes gore que ele tanto adora ”? Não sei, mas este tipo de questão é a que parece permanecer na cabeça, ao termino da projeção.