
Se você algum dia estiver andando por aí e, inadvertidamente, tropeçar em uma lâmpada mágica, esfregá-la (porque você sabe que é assim que se deve proceder quando se encontra uma lâmpada mágica) e então liberar um gênio mágico que lhe concederá um pedido , diga: quero ser Roger Vadim, no início dos anos 60. Muito bem. Agora é só curtir a Catherine Deuneuve, a Brigitte Bardot e esperar um pouco, porque logo você conhecerá a Jane Fonda. Se você for mulher, provavelmente, todo este parágrafo nada mais lhe parecerá do que um monte de lixo. Peço desculpas.
Roger Vadim, além de um interessante cineasta, foi um conquistador de mulheres digno de respeito – inveja, no meu caso. A lista de beldades que já passaram por sua cama é tão grande que daria para fazer uma outra lista, só com o nome das que começam e terminam com a letra “Z”. Realmente um cara incrível. Mas, Vadim não passava apenas seu tempo se casando (ou simplesmente levando para cama) mulheres maravilhosas. Ele também fazia filmes que até podem ser chamdos de marcantes. E Deus Criou a Mulher, de 1956, além de ter revelado ao mundo Brigitte Bardot, foi um dos precursores diretos da Nouvelle Vague, ao lado de O Ascensor Para o Cadafalso de Louis Malle, por exemplo.
Mas, é por Barbarella, lançado em 1967, que Vadim é mais conhecido. Protagonizado por Jane Fonda, sua mulher na época, o filme baseado na HQ criada por Jean Claude Forest ganhou um status cult impressionante. Há quem diga que Barbarella é kitsch e não faz nenhum sentido. Há quem diga que Barbarella é kitsch, não faz nenhum sentido e está entre as melhores aventuras espaciais de todos os tempos. Há ainda quem diga que o White Álbum é muito melhor que o Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, só que tal opinião não tem nada a ver com este texto.
O Filme é a cara dos anos 60, por mais que esteja situado no espaço e no futuro. O discurso pacifista, a recém adquirida liberdade sexual feminina (feministas radicais podem entender que Barbarella é submissa, já que o sexo é usado como uma forma de recompensar os homens, no entanto), a lisergia: está tudo lá. Mas é preciso dizer que quando se vê Jane Fonda na tela, fazendo strip-tease em gravidade zero, ou, destruindo, por causa de um orgasmo sensacional, uma máquina maluca inventada pelo vilão maluco da história, todo o resto fica meio sem importância. Até mesmo a bonita fotografia de Claude Renoir, membro da ilustre família que inclui Pierre- Auguste Renoir e Jean Renoir, pode passar despercebida, se você não tomar cuidado.
Mesmo que Vadim não seja um grande diretor de atores (Jane só pode mostrar o todo o seu talento dramática com Allan J. Pakula, em Klute, lançado em 1971), é impossível não acreditar na ingenuidade sensual da personagem. O que, afinal, é tudo o que a atriz precisava fazer para colocar Barbarella ao lado das heroínas mais interessantes – em absolutamente todos os sentidos – da história do cinema.
3 de fevereiro de 2008
Barbarella, de Roger Vadim
por
Wellington Sari
às
21:45:00
Marcadores: Roger Vadim
Assinar:
Comment Feed (RSS)
|