É um filme de Martin Scorsese. Poderia muito bem ser um filme de Zé Elias (ou Doriva Ferreira, ou sei lá quem). Não faria tanta diferença. Há muito pouco de criatividade, por parte do diretor de O Rei da Comédia, neste Rolling Stones – Shine a Light. No entanto, é preciso ser justo e deixar claro logo de começo que este longa-metragem nunca tenta passar a impressão de que busca ir além de um “registro histórico” de uma banda histórica. Temos aqui algo honesto em sua proposta, mas que não escapa de soar burocrático durante quase toda sua duração.
Quase. Porque, no início, há algo parecido com uma tensão. Há algo parecido com um olhar “diferenciado” sobre a banda. Nestes poucos minutos, em uma edição bastante veloz, vemos os bastidores do pré-show: algumas pequenas confusões, desavenças entre Scorsese e Mick Jagger (o chefão dos Stones) e a presença de Bill e Hilary Clinton, que, caso vença Barak Obhama nas prévias, deve receber o voto do cineasta. A presença de Scorsese é algo bastante interessante, porque mostra que, caso resolvesse escrever, dirigir e atuar em comédias, ele daria um excelente Woody Allen.
Quando a apresentação de fato começa, não há mais nada além de uma banda sessentona, apoiada por uma grande quantidade de músicos de apoio, tocando diversos clássicos e uma ou outra raridade. Claro, para os fãs dos Stones, isto já é o bastante. Mas, como “cinema” (porque, a princípio pelo menos, Rolling Stones- Shine a Light, é um filme de cinema) é insuficiente.
Scorsese decidiu fazer um registro intimista do grupo (por isso escolheu filmar no Beacon Theatre, em Nova Iorque e não nas areias de Copacabana). Isto explica a falta de planos gerais e grande quantidade de closes dos músicos. O problema é que há poucos momentos interessantes capturados pelo cineasta, tirando um ou outro sorriso de Keith Richards para Ron Wood, ou então uma demonstração de carinho entre Jagger e Richards. Além disso, Scorsese tem pouquíssimo interesse pela platéia (o que, no fundo, é justificável, afinal não são raros os momentos em que é possível ver, de relance, pessoas tirando fotos DE SI MESMAS durante o show...).
Os Stones também não ajudam muito. Por mais que a performance de Jagger, considerando a idade do vovozão, seja louvável, não há nenhum resquício da banda perigosa, feia, suja e malvada dos anos 60 (quer dizer, há resquícios sim, durante as cenas de entrevistas da época, que de vez em quando aparecem entre as músicas).
Um show de rock para ser visto no cinema já não é algo muito animador. Pior ainda quando não há nada de novo ou interessante, como a proposta peculiar de um Live At The Pompei, do Pink Floyd, ou a selvageria de um Let There Be Rock, do AC/DC, dois exemplos de apresentações que também foram lançados no cinema (sem falar em Gimme Shelter, Woodstock e The Last Waltz, do próprio Scorsese, que são obras que retratam algum acontecimento marcante).
8 de abril de 2008
Rolling Stones – Shine a Light, de Martin Scorsese
por
Wellington Sari
às
18:15:00
Marcadores: Martin Scorsese
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