Em Desejo e Obsessão, Claire Danes esboça um roteiro a partir de elementos de filmes B de terror e ficção científica, o que inclui aí algumas experiências genéticas bizarras. Mas não é isso o que interessa à diretora francesa. A narrativa segue um rumo bem diferente, essas experiências mal são explicadas, e nem é necessário entender a história completamente para se entrar no transe do filme. Eu mesmo não entendi patavinas (palavra engraçada essa, não acham? patavinas...) e virei fã do filme. Danes se interessa é por seus personagens, pela angústia, pela solidão, e pelo desejo deles. As experiências genéticas, bizarras e mal explicadas servem apenas como um ponto de partida para levar esses personagens ao limite de seus sentimentos e desejos.
Muito sangue falso e pouquíssimos diálogos são coisas difíceis de encontrar num mesmo filme. Danes cria uma tensão constante, que é alimentada principalmente pela ausência quase completa de diálogos. Diálogos esses que realmente soariam desnecessários, pois as situações-limite por quais passam os personagens já conseguem delinear bem o que eles estão passando. Diálogos ou maiores explicações aqui só atrapalhariam e desviaram a atenção do espectador para o que realmente importa para Danes.
A cara de maníaco de Vincent Gallo é quem carrega o filme, em um personagem que está sempre em briga consigo mesmo, e corre atrás de um amor (ou um erro?) do passado. Mas quem impressiona é Béatrice Dalle, que se entrega totalmente numa atuação, no mínimo, corajosa. Sua performance é visceral, intensa, sensual, carnal. Adjetivos que também podem ser usados para descrever o filme.
No fim, em meio a antropofagia e muito sangue, percebemos que o ser humano ainda é primitivo. Que existem buscas que não tem fim, o que se começou não terminará assim tão fácil, e o ciclo continuará na cara de maníaco de Vincent Gallo.

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