Ismar, de Gustavo Beck
Uma pequena jóia entre mais um dia de curtas ruins. A partir de imagens de arquivo pessoal, em especial de programas de TV, o filme nos apresenta Ismar, um garoto que sabe de tudo sobre cinema hollywoodiano, ele vai ao programa do Jô, e participa de uma espécie de quiz show, onde tem a chance de ganhar uma sonhada viagem a Hollywood, caso acerte todas as perguntas. Esse programa é o grande achado do curta, quase surreal pela forma como explora o menino, em certos momentos faz até parecer que é tudo encenado e estamos vendo uma ficção. O que seria tão genial quanto esse filme já é.Paralelo a isso, vemos também um jovem em meio a penumbras, computadores no escuro, e refletores de luz. Depois que o programa de TV chega ao fim, com o menino Ismar perdendo a chance de visitar Hollywood e chorando num programa ruim, o jovem em meio às penumbras é revelado e vemos Ismar hoje, barbudo, fumando, bebendo, cantando numa banda de rock.
A música de sua banda de rock hoje, e logo depois o menino Ismar cantando a música de algum filme hollywoodiano ruim no programa do Jô. É o presente confrontado com o passado, que diz absolutamente tudo sobre Ismar e sua trajetória de vida.
Christopher Faust
Fly, de Márcio Salem
"Voa, Diogo, voa...", Caco Ciocler interpretando Caco Ciocler, numa filosofia de jovenzinho publicitário de extremo mau gosto. O horror, o horror....
Christopher Faust
Esse Homem Vai Morrer – Um Faroeste Caboclo, de Emillio Gallo

O documentário do jornalista Emillio Gallo resume-se a uma imagem: uma porção de celebridades globais (da qual se destaca Letícia Sabatella, a mais linda atriz de todo o mundo) dando autógrafos, em meio à população de Rio Maria, no Pará, que faz um protesto contra a ação dos assassinos de aluguel que matam figuras socialmente importantes da região. As celebridades estão lá, com faixinhas na cabeça e tudo mais. A presença delas adianta à causa? Obviamente não. O próprio documentário mostra que o índice de assassinatos diminuiu muito pouco depois do movimento. Esse Homem Vai Morrer – Um Faroeste Caboclo nada mais é do que uma tentativa barata e superficial de resolver um grave problema com a imagem (assim como fazem as celebridades).
Não é o cinema quem tem de resolver algo desse tipo. Tal função cabe à outras instâncias. Não é o cinema quem tem de fazer um “documentário investigativo”, como se auto-intitula o filme. Investigar é função dos detetives. Talvez dos jornalistas desesperados. O cinema tem de se preocupar com a forma. Tudo o que o longa-metragem de Gallo não faz é se preocupar com a forma. O que se vê na tela é um desleixo formal completo (inclusive técnico, o que me fez pensar, em diversos momentos, que o filme foi exibido sem estar finalizado), em que reinam as más composições dos planos, o péssimo uso da música e o maldito uso abusado do depoimento. Por que tanto interessa a certos documentaristas a fala das pessoas? Não há mais nada que se possa apreender delas? Gallo, pelo jeito, acha que não.
O que sobra de Esse Homem Vai Morrer – Um Faroeste Caboclo é um monte de nada. Ou então,um documentário mal realizado, com caráter de denúncia, que, fatalmente, vai se resultar infrutífera, repleto de depoimentos. O que este filme está fazendo em um festival de cinema?
O que sobra de Esse Homem Vai Morrer – Um Faroeste Caboclo é um monte de nada. Ou então,um documentário mal realizado, com caráter de denúncia, que, fatalmente, vai se resultar infrutífera, repleto de depoimentos. O que este filme está fazendo em um festival de cinema?
Wellington Sari
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