Há muito havia visto este filme, na sessão da tarde, como quase todo mundo. Foi interessante retornar a ele tanto tempo depois. Em Meus Vizinhos São um Terror, Joe Dante seleciona um ponto bem específico e limitado do globo (literalmente: na abertura do filme o logo da Universal começa a ganhar um zoom, até a câmera chegar a uma rua): um típico subúrbio norte-americano. É dali que o cineasta irá colherá o seu objeto de estudo.
Assim como se pode dizer que Hitchcock, em Janela Indiscreta, faz uma análise dos relacionamentos amorosos à partir de um condomínio de prédios, Dante estuda as idiossincrasias do suburbano (não é a toa que o título original do filme é The Burbs). As premissas de ambos os filmes são parecidas: homens que, por algum motivo, precisam deixar de ir trabalhar e ficar em casa, tem a curiosidade atraída por um evento excepcional. Também em ambos os casos, os protagonistas tentam provar que há algo “errado” perturbando a calmaria da comunidade em que vivem (naquele, James Stewart tenta provar que seu vizinho matou a esposa, neste, Tom Hanks comanda um grupo de pessoas que tenta provar que uma família recém-chegada na vizinhança é composta por loucos e assassinos) . Só que, enquanto no longa do diretor inglês o espectador logo fica sabendo que há de fato algo errado acontecendo, em Meus Vizinhos São um Terror o “jogo de esconder” é mantido até o final.
O filme também guarda algumas semelhanças com Edward Mãos de Tesoura, de Tim Burton. Ambos tratam da dialética subúrbio/lugar obscuro. Há, nas duas obras, uma comunidade aparentemente feliz e normal e há uma casa em que coisas estranhas acontecem. A “casa estranha” de Burton fica geograficamente acima do subúrbio, a de Dante fica completamente dentro. Os dois lugares obscuros, habitados por pessoas que não são normais (ou seja, iguais as que vivem nos subúrbios) servem, no fim das contas, para revelar a verdadeira natureza dos suburbanos: pessoas cruéis, egoístas e fúteis (há, em Meus Vizinhos São um Terror uma cena em que Hanks, em um tipo de histerismo corporal que infelizmente o ator abandonou no decorrer da carreira, diz aos suburbanos que são eles os estranhos e não os moradores do “lugar obscuro”).
É uma pena que Dante, ao contrário de Burton, não teve coragem de ir até o final com esse discurso. O desfecho de Meus Vizinhos São um Terror é absolutamente decepcionante. Deveria ter sido separado do todo, com uma ferramenta afiada, e depois enterrado para sempre. Exatamente como fez o vilão de Janela Indiscreta com a esposa.
Assim como se pode dizer que Hitchcock, em Janela Indiscreta, faz uma análise dos relacionamentos amorosos à partir de um condomínio de prédios, Dante estuda as idiossincrasias do suburbano (não é a toa que o título original do filme é The Burbs). As premissas de ambos os filmes são parecidas: homens que, por algum motivo, precisam deixar de ir trabalhar e ficar em casa, tem a curiosidade atraída por um evento excepcional. Também em ambos os casos, os protagonistas tentam provar que há algo “errado” perturbando a calmaria da comunidade em que vivem (naquele, James Stewart tenta provar que seu vizinho matou a esposa, neste, Tom Hanks comanda um grupo de pessoas que tenta provar que uma família recém-chegada na vizinhança é composta por loucos e assassinos) . Só que, enquanto no longa do diretor inglês o espectador logo fica sabendo que há de fato algo errado acontecendo, em Meus Vizinhos São um Terror o “jogo de esconder” é mantido até o final.
O filme também guarda algumas semelhanças com Edward Mãos de Tesoura, de Tim Burton. Ambos tratam da dialética subúrbio/lugar obscuro. Há, nas duas obras, uma comunidade aparentemente feliz e normal e há uma casa em que coisas estranhas acontecem. A “casa estranha” de Burton fica geograficamente acima do subúrbio, a de Dante fica completamente dentro. Os dois lugares obscuros, habitados por pessoas que não são normais (ou seja, iguais as que vivem nos subúrbios) servem, no fim das contas, para revelar a verdadeira natureza dos suburbanos: pessoas cruéis, egoístas e fúteis (há, em Meus Vizinhos São um Terror uma cena em que Hanks, em um tipo de histerismo corporal que infelizmente o ator abandonou no decorrer da carreira, diz aos suburbanos que são eles os estranhos e não os moradores do “lugar obscuro”).
É uma pena que Dante, ao contrário de Burton, não teve coragem de ir até o final com esse discurso. O desfecho de Meus Vizinhos São um Terror é absolutamente decepcionante. Deveria ter sido separado do todo, com uma ferramenta afiada, e depois enterrado para sempre. Exatamente como fez o vilão de Janela Indiscreta com a esposa.

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